Radiação cósmica tem forte influencia sobre o clima

Climatologia

Radiação cósmica tem forte influencia sobre o clima

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13 de fevereiro de 2018

Os pesquisadores descobriram um processo previamente desconhecido da formação de nuvens por radiação cósmica.Um processo que deve ser integrado aos modelos climáticos.

 

Já se sabia que a atmosfera da Terra é  constantemente bombardeada por raios cósmicos, partículas carregadas (elétrons, íons) provenientes do Sol ou de supernovas próximas e que não podem ser desviadas pelo nosso campo magnético. Também era conhecido que essas partículas altamente energéticas interagem com moléculas atmosféricas.

 

Mas até então os cientistas consideravam que a ação dessas partículas na dinâmica da formação das nuvens era insignificante. Mas um estudo teórico e experimental acaba de demonstrar que elas contribuem fortemente para isso e assim elas influenciam o clima.

 

Quando uma nuvem se coloca entre o Sol e nossa pele imediatamente sentimos uma queda de temperatura. O mesmo fenômeno ocorre na escala atmosférica. As nuvens tendem a refletir para o exterior os raios do sol, o que leva a diminuição da taxa de calor absorvido pela atmosfera terrestre.

 

De fato, em escala global, a cobertura da nuvem é um dos fatores essenciais do resfriamento da atmosfera, já a concentração de CO2 é o fenômeno do reaquecimento.

 

Mas se este parâmetro de cobertura de nuvem é bem levado em conta nos modelos de previsão climática, estes não integraram até agora sua taxa de aumento devido à ação das partículas cósmicas.

 

Em um novo estudo os pesquisadores rastrearam a sequência de reações atmosféricas de uma partícula cósmica. Eles constataram que elas podem produzir núcleos de condensação e demonstraram que esse processo pode aumentar a cobertura da nuvem em ate 50% .

 

O nascimento de uma nuvem está longe de ser uma questão simples. Para que o vapor presente na atmosfera se condense em finas gotas de água para formarem as nuvens é necessário um núcleo sólido.

 

Esses núcleos podem ser feito de moléculas, bactérias, areia ou poeira e devem ser suficientemente grande (mais de 50 nm de diâmetro) para que as moléculas de água se aglomerem apesar do efeito de evaporação que tende a separá-las. Sem esses núcleos não haveria condensação, sem condensação não haveria as  nuvens.

 

Os pesquisadores descobriram que esses raios cósmicos produzem uma cadeia de reações que fazem crescer minúsculos aglomerados (menos de 20 nm) de ácido sulfúrico e moléculas de água presentes na atmosfera até chegarem ao tamanho crítico para a formação da nuvem.

 

Em suma, eles descobriram um processo desconhecido de produção de nuvem que não foi previamente levado em consideração na modelagem da dinâmica climática.

 

Juntando a teoria à prática os cientistas reproduziram esse fenômeno em uma câmara de névoa bombardeada por partículas do tipo cósmico. O resultado verificado foi a formação de núcleos de condensação que coincidiu com as previsões de seu modelo.

 

Eles também analisaram 2 anos de dados sobre cobertura de nuvens, atividade solar, raios cósmicos medidos e mostraram que esses dados eram consistentes com o modelo.

 

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